A Fome Emocional
- saudepsicofisica

- 3 de out. de 2021
- 3 min de leitura
A comida não é moeda que compra felicidade, tão pouco preenche vazios. Não vejo o vazio como um estorvo e sim um aviso, de que algo não está bem. Os vazios incomodam, é verdade, não gostamos deles, por isso passamos um bom tempo tentando preenchê-los. Cada vazio tem sua causa, melhor dizendo, cada espaço vago na emoção é decorrência do que não foi digerido devidamente. Mesmo aceitando o fato de que “não podemos tudo”, “não é possível ter tudo”, “nem tudo sai como desejamos”, e a que eu mais gosto: “nem tudo é perfeito”, as frases de efeito não resolvem problemas. A mente quer satisfação, quer prazer, gratificação e reconhecimento, por isso, sublima, ou seja, substitui o que falta por alguma coisa que preencha o vazio: dormir muito, falar descontroladamente, cuidar da vida alheia, colecionar objetos, mas quase sempre a escolha é pela comida. Supostamente pelo prazer que oferece, a comida pode se tornar uma obsessão sem limites e horários, cuidado com os ataques noturnos à geladeira. Os ataques noturnos à geladeira, preenchendo vazios
Nem sempre é assim. Muitas vezes não nos damos conta do número de vezes que abrimos a geladeira abastecida, com vontade de comer "sei lá o que", ficamos abaixado diante dela, com a porta aberta, olhando e não encontrando algo para você. Este pode ser o primeiro sinal de que o vazio começa a incomodar.
Outras vezes ingerimos alimento até sentir que exageramos, após o almoço, o desconforto e a vergonha tomam conta, vamos dormir, praticamente hibernando para interromper os sentimentos desconfortáveis, quando acordamos nossa mente cobra severamente pelo descontrole, o mal estar toma conta, levantamos e vamos ao lanche da tarde para voltar a sentir prazer, este ciclo não é saudável, não terá fim se não for interrompido. A ajuda profissional, caso não tenhamos êxito sozinhos, sempre será oportuna, porque comer além do limite da saciedade é um claro sinal de que o corpo tenta preencher o que falta.
O corpo não se alimento somente de comida, também de atividades prazerosas, boas companhias e passeios em lugares agradáveis, arejados e iluminados, da boa música, de todo tipo de arte, do silêncio, do perfume da grama, das cores naturais que nos cercam, e tudo mais que for relaxante e reconfortante!
Penso que o primeiro passo diante dos sinais de vazio seja identificar suas causas, ou seja, abordar a emoção diretamente. Quando exagero na comida? Descobrimos que comemos mais quando perdemos, ganhamos, quando tristes, alegres, estressados, ansiosos, deprimidos, pelo simples fato de ser a comida um atalho fácil para o prazer, e esta é a “fome emocional”. Sem contar com o fato de que este prazer é passageiro, rápido demais, ilusório. Interessante seria se reformulássemos nossos pensamentos distorcidos sobre a comida, que aprendêssemos a ver todos os alimentos como saudáveis, desde que ingeridos como fontes de energia para o corpo, considerando todos os seus aspectos, inclusive quantidade e horários. Sim, porque cada corpo tem seu relógio interno, capacidade específica de absorção e metabolização. É preciso tirar da comida o lugar de prioridade em qualquer entretenimento e prazer, observem que sempre que um grupo combina uma reunião, obrigatoriamente envolve comida.
Observem também que sempre que estamos envolvidos em uma atividade prazerosa, que alimenta a mente e o espírito, perdemos a noção do tempo e a hora da alimentação.
Os convido à avaliação do sentimento de vazio, para compreeder suas causas, obter soluções e sentir a completude que leva ao bem estar. Afinal ser feliz é direito comum a todos!!!!!
Maria Lúcia Pesce
Psicóloga Clinica
@psicologa.marialuciapesce
.
.
.
Comentários