A Escuta do Outro na Atualidade
- saudepsicofisica

- 2 de ago. de 2021
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Expressar nossos medos, anseios e angústia não é tarefa fácil, em tempos onde o outro não está disponível para escuta alheia, aquilo que nos afeta, parece não importar.
Na busca incansável pelo preenchimento da falta, a qual nem sempre, é possível nomear, nos vemos as voltas com nossas dificuldades, paralisados diante de sentimentos e sensações, estranhos e desconcertantes.
O aperto no peito, a inquietude, o mal estar, não cessa com as tentativas de controle, exercícios e orientações, que encontramos nas redes sociais e demais meios de comunicação, talvez, porquê as receitas prontas, não levam em conta nossa singularidade, história de vida e experiências, jamais vivenciadas pelo outro, que até pode ter passado por algo semelhante, mas nunca iguais a nossa.
Falarmos do que nos afeta é tão importante quanto a água que mata a sede e o alimento que cessa a fome.
O acúmulo de desprazer, que provoca desconforto, sentimentos de inadequação e inutilidade; desperta emoções, por vezes, injustificáveis, embora, presentes em nosso íntimo.
O não dito pulsa, busca saídas, numa tentativa de aliviar o desconforto psíquico, transfere para o corpo, em forma de sintomas, o que na mente não encontra vazão, gerando doenças.
Uma conversa com amigos, familiares e até um desconhecido, no ônibus, na praça ou em qualquer lugar, provoca uma sensação de alívio imediato, mas o desconforto permanece, pois o afeto, decorrente dos conteúdos internalizados, não foram ressignificados.
O trabalho pessoal, em psicoterapia, caminha justamente no sentido de compreender os medos, ansiedade e angústias, experiênciados ao longo da nossa história, presentes no dito e no não dito, e que encontram um destino quando recordamos, repetimos e ressignificamos nossas vivências (FREUD, 1914).
Buscar ajuda profissional é uma atitude inteligente e promissora para compreensão de si e o alcance de uma vida mais saudável.
Maria Lúcia Pesce
Psicóloga Clínica
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